“Fuja dos reencontros amorosos”, me recomendava tio Marcelo, um jovem adulto sábio. Este era um dos pontos cruciais da cartilha sentimental dele, cultivado na filosofia e na arte da galanteria.
O tempo me fez entender a advertência dele. Os casos de amor nunca terminam suficientemente bem para que permitam reencontros doces. Se o final foi calmo, é porque não foi amor real. Os amantes arrastam sua paixão muito além do razoável. Uma história de amor verdadeira termina antes da despedida.
No mundo perfeito, os casos de amor terminariam na hora certa, no último beijo que funcionou, na última vez em que o amor e a generosidade triunfaram sobre o ódio e a mesquinharia. Mas isso não acontece! A gente sempre ultrapassa o ponto ideal no término dos relacionamentos. É a maldição dos homens e mulheres apaixonados. Há quem hesite diante do telefone para ligar para um amor perdido em busca de um reencontro com o de Celine e Jesse no filme “Antes do Pôr do Sol”.
Acredito no destino! Ninguém reencontra ninguém por acaso!
Realmente, há algo de mágico nos reencontros, na revivescência do amor. Há algo tal qual Maktub, como se nada pudesse fazer com que o destino não se cumprisse.
Quase uma poesia. Sinto-me tentada a transformar este texto numa prosa cadente, escorrido da essência de tais histórias, tais ‘reacendimentos’ de afetos. Quero dedicá-lo a quem se entrega, a quem se permite, a quem - mesmo morrendo de medo - não deixa que os anos lhes tirem a capacidade de acreditar que amor não tem idade, não tem tempo, não tem distância. Acontece a despeito das marcas no corpo, das dores ressequidas, das desilusões que até poderiam ter amargurado todo o resto de suas vidas... Mas não, porque se souberam interminavelmente amantes.
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